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2007-12. UM TIPO DE OLHAR PARA A DANÇA

Num determinado momento do trabalho não soube se a dança havia encontrado neste olhar algo a dizer sobre ela ou se tentar entender a relação da fotografia / dança acabou gerando em mim a observação do movimento em movimento. A única certeza é que estava diante de um movimento / tempo que pode ter sido gerado por um interesse mútuo. Um olhar de cá para cá, de cá para lá e de lá para cá: da fotografia para a própria fotografia, da fotografia para a dança e da dança para a fotografia.

O que pretendo oferecer é uma pesquisa sobre um olhar fotográfico para a dança, olhar que mudou minha escrita da luz, minha vida e meu ponto de vista sobre muitas coisas, possivelmente provocando o mesmo efeito sobre aqueles que se dispuseram a conhecer este olhar. A dança me fez refletir sobre o papel da fotografia na área da comunicação e o valor dela no jornalismo cultural. A importância de uma composição, de uma atuação de mão dupla − dança / fotografia, fotografia / dança − onde o fotógrafo não oferece somente uma habilidade técnica e uma interpretação visual da dança de acordo com seu conhecimento histórico / artístico, sua percepção, mas o fotógrafo fazendo parte também, em certa medida, da criação de um novo evento como um participante ativo neste aspecto. Mais que o observador, que o caçador que firmemente o é, o foto jornalista, preocupado com o acontecimento, com o fato. Alguém que trabalha em parceria, que compõe um olhar seu sobre o trabalho de alguma pessoa, do bailarino, do diretor, do coreógrafo, do cenógrafo, do iluminador, da equipe como um todo. Olhar que deseja expor a diversidade tanto da fotografia como da dança. Heterogeneidade esta não só com relação a esfera de atuação da fotografia e da dança na arte, na improvisação, na documentação ou exposição de um momento histórico-social em termos de apontamento, de registro ou, e principalmente, de informação e memória de um determinado tempo. Ao mesmo tempo um olhar que se estende ao fazer do outro, ao trabalho artístico como qualquer outro trabalho, ao que está na cena para ser apreciado pela plateia e o que não está para ser visto, as entrelinhas, os bastidores.

 

Aproveito para agradecer todos estes bailarinos queridos que mostraram para minhas lentes seu trabalho artístico.



Inês Correa

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